Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

Direito à indignação? Sim. Exercite-o!

Assisti ontem na SIC Noticias  a uma excelente entrevista com o General Garcia Leandro que , entre outras funções de alto relevo que exerceu , é presentemente o Presidente do Observatório para a Segurança.

E que disse ele? Aquilo que todos nós, mais atentos à realidade do que à encenação e manipulação que nos é permanentemente dirigida já verificámos : o grande risco de uma explosão social descontrolada .

Descontrolada, porque de geração espontânea, sem regras, nem lideres, tipo "Maria da Fonte".

Mas, o grave é que essa explosão , ainda que possa iniciar-se nas grandes urbes por força dos bairros de elevado risco que as cercam , , poderá ser acompanhada por todos aqueles que se consideram injustiçados . Seja na saúde , que não têm. Seja no trabalho , que não existe. Seja no "pão" que não comem.

E falou ainda o entrevistado na total promiscuidade entre o poder politico e o poder económico.

Não sei se assim é. Mas , se não é, parece!

E a propósito deste ponto, não posso deixar de transcrever um post do bloguista Rui de Freitas sobre a Caixa Geral de Depósitos, cujo único accionista é o Estado. Sim, o Estado, a quem chamam "pessoa de bem". Será?!

 

....batendo as asas pela noite calada
Vêm em bandos, com pés de veludo...»
Os Vampiros do Século XXI

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a enviar aos seus clientes mais modestos uma circular que deveria fazer corar de vergonha os administradores - principescamente pagos - daquela instituição bancária.
A carta da CGD começa, como mandam as boas regras de marketing, por reafirmar o empenho do Banco em oferecer aos seus clientes as melhores condições de preço/qualidade em toda a gama de prestação de serviços, incluindo no que respeita a despesas de manutenção nas contas à ordem.

As palavras de circunstância não chegam sequer a suscitar qualquer tipo de ilusões, dado que após novo parágrafo sobre racionalização e eficiência da gestão de contas, o estimado/a cliente é confrontado com a informação de que, para continuar a usufruir da isenção da comissão de despesas de manutenção, terá de ter em cada trimestre um saldo médio superior a EUR1000 , ter crédito de vencimento ou ter aplicações financeiras associadas à respectiva conta. Ora sucede que muitas contas da CGD, designadamente de pensionistas e reformados, são abertas por imposição legal. É o caso de um reformado por invalidez e quase septuagenário, que sobrevive com uma pensão de EUR243,45 - que para ter direito ao piedoso subsídio diário de EUR 7,57 (sete euros e cinquenta e sete cêntimos!) foi forçado a abrir conta na CGD por determinação expressa da Segurança Social para receber a reforma.

Como se compreende, casos como este - e muitos são os portugueses que vivem abaixo ou no limiar da pobreza - não podem, de todo, preencher os requisitos impostos pela CGD e tão pouco dar-se ao luxo de pagar despesas de manutenção de uma conta que foram constrangidos a abrir para acolher a sua miséria.
O mais escandaloso é que seja justamente uma instituição bancária que ano após ano apresenta lucros fabulosos e que aposenta os seus administradores, mesmo quando efémeros, com «obscenas» pensões, a vir exigir a quem mal consegue sobreviver que contribua para engordar os seus lautos proventos. É sem dúvida uma situação ridícula e vergonhosa, mas as palavras sabem a pouco quando se trata de denunciar tamanha indignidade. Esta é a face brutal do capitalismo selvagem que nos servem sob a capa da democracia, em que até a esmola paga taxa. Sem respeito pela dignidade humana e sem qualquer resquício de decência, com o único objectivo de acumular mais e mais lucros, eis os administradores de sucesso.

Falou-se, em tempos, do direito à indignação. Há que exercitá-lo!

publicado por pracana às 09:25
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3 comentários:
De João Viegas a 7 de Fevereiro de 2008 às 14:50
Caro amigo Pracana,

Mas que metamorfose a sua!
Denoto que as suas fontes intelectuais estão a inverter-se!? Então agora citamos Mário Soares e Zeca Afonso!? É impressão minha, ou o meu estimado amigo tem um profundo e genuíno desejo de que se realize uma revolta ao estilo da Maria da Fonte?! Seria desejável que a oposição ao governo enveredasse por caminhos mais positivos, quem sabe começando por construir um projecto alternativo, em vez de depositar esperanças num situacionismo revolucionário.

Um grande bem-haja
Do sempre seu amigo
João Viegas
De pracana a 7 de Fevereiro de 2008 às 22:35
Meu caro.
É sempre um prazer ler os seus comentários. A metamorfose não é minha. Será mais de quem, assumindo-se de "esquerda" sustenta um politica anti-social , um clima de suspeição, um baixar a cabeça a interesses instalados ou a instalar-se. A não ser assim, explique-me a razão pela qual foram retirados da REN cerca de 740 hectares da Herdade da Comporta que, por mero acaso, pertencem ao Grupo Espírito Santo.
Se calhar foi milagre...
Um abraço assumidamente de direita!
De João Viegas a 8 de Fevereiro de 2008 às 11:21
Caro Pracana,

De facto não estou ao corrente do assunto que cita, porém confesso que o que me vem à memória é um Ministro Nobre Guedes que em coligação com o PSD resolveu uns problemazitos lá para uma tal Portucal...

Um grande abraço
Do seu sempre amigo
Viegas

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