Sábado, 25 de Abril de 2009

Comemorar o 35 de Abril?

Amigos

 

Depois de um longo silêncio, é tempo de voltarmos à bloguesfera. Que seja em boa hora, face aos acontecimentos recentes e às pugnas eleitorais que se avizinham e que serão fundamentais para todos nós, tendo em vista que através das mesmas teremos a oportunidade de censurar ou premiar aqueles que, sem desculpas, porque assentes numa sólida maioria, nos governam desde 2005.

 

E, assim, deixo à vossa apreciação a minha intervenção na cerimónia do "25 de Abril" hoje realizada na Assembleia Municipal de Oeiras, com a presença de todas as forças politicas representadas nos órgãos autárquicos, da população.

 

SR. PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL,

SRS. DEPUTADOS MUNICIPAIS,

SR. PRESIDENTE DA CÂMARA

SRS. VEREADORES

SRS. PRESIDENTES DE JUNTAS DE FREGUESIA,

SRS. EX-AUTARCAS HOJE HOMENAGEADOS

SENHORAS,

SENHORES

OEIRENSES

 

Comemoramos hoje  o 35 de Abril, ou seja, o espírito de Abril  35 anos depois.  Comemoramos hoje a conquista dos direitos e liberdades, possível com o golpe militar  legitimado pela adesão popular , mantida com o 25 de Novembro e prosseguida com as instituições democraticamente eleitas.

Por isso, não é possível comemorar a liberdade e o Estado de Direito, sem que aqui também nos lembremos daqueles que impediram uma deriva castradora desses direitos, dessas liberdades. Aqueles que em 25 de Novembro de 1975 disseram: presente.

Por isso , depois de  no passado ano de 2008 termos , nesta mesma cerimónia e local , referido  “ Apesar dos mecanismos de controlo existentes em Portugal, existem subtis práticas, que se vão repetindo e que reflectem tiques de controlo da vida de todos nós. E estes não podemos, não devemos, deixar passar em claro”, continuamos preocupados e agora mais do que nunca, porquanto essas praticas subtis se transfiguraram e, agora, passaram a exercer-se às claras, procurando o Governo amordaçar os órgãos de informação e os seus profissionais, pressionando-os através da utilização recorrente de processos crime e participações à Alta Autoridade para a Comunicação Social.

E o que esta conduta augura para todos nós não é bom!

Antes de 25 de Abril de 1974  tínhamos uma imprensa amordaçada, vilipendiada através do lápis azul da censura. E agora, pretende-se o mesmo , utilizando   a Justiça para tal! Se necessário com recados mais ou menos directos aos seus decisores, sejam eles Juízes ou Procuradores. Quando não, criando normas ou alterando leis ao sabor de uma maioria arrogante, prepotente e surda!

Essa mesma  Justiça,  palco de experiências – onde se viu tal?! – que determinam para os cidadãos penosas dúvidas, custos acrescidos, decisões incompreensíveis, sem o correspondente aumento da sua eficiência e qualidade.

Com um tecido empresarial fragilizado, onde seria muito importante agilizar os mecanismos tendentes a obter pagamentos devidos, o que verificamos é uma total incapacidade de agir por parte dessa Justiça, vitima de quem não deseja que a mesma funcione.

Sem justiça, também não há economia que resista.

E sem ela também os cidadãos , descrentes da mesma , ameaçam com a justiça popular, quando não violentam fisicamente os seus decisores.

Sem justiça, sem prosperidade e seu futuro próximo que nos resta? A revolta? A revolta dos descamisados? As tensões sociais seguramente começam a surgir. Veja-se o aumento do crime organizado, sinónimo da fragilidade do Estado, deste Estado, forte com os fracos e fraco com os fortes.

E se na Justiça o que sabemos e vemos é trágico, que dizer da politica de investimentos deste Governo?

Assente numa politica de foguetório, sem verdade, propõem-se medidas economicamente desajustadas, financeiramente irrealistas e  só teoricamente possíveis.

Mas a esta situação, que certamente irá agravar à medida que o Governo veja o período eleitoral a aproximar-se,  saberão os eleitores dar a adequada resposta.

Promessas? Muitas!

Realizações? Nenhumas!

Que obra de vulto deixou este Governo ao País? Recordem –se de uma?

O Magalhães, que já é revendido na feira da ladra, por aqueles a quem o mesmo se dirigia? A energia solar, que pretensamente irá aumentar o emprego? A criação de  150 000 empregos? A melhoria do Serviço Nacional de Saúde? Os genéricos gratuitos para os pensionistas, quando excluiu os medicamentos para a Alzheimer? Os investimentos estrangeiros?

Recordem-se  de uma, minhas Senhoras e meus Senhores!

Fiz um esforço. Não consegui! E  não ando propriamente distraído.

         E isto é grave, porquanto  o Governo, em quem os Portugueses confiaram,  os desiludiu. E a desilusão não tem só génese externa. Teve e tem também causas internas. E as soluções publicitadas aterrorizam, pelo seu quê de gastos faraónicos como é o caso do TGV ou do aeroporto que, não se contestando noutro cenário macroeconómico, são hoje algo a rever em termos da sua execução imediata, porque irão ainda aumentar mais o nosso défice exterior.

Este Governo não olha para o futuro. De forma errática procura soluções, afogando-nos em promessas que não serão seguramente cumpridas.

Apostar no presente, olhando o futuro é qualidade que poucos têm. E este Governo não a tem.

Sabemos que existe uma decalage entre o que o país produz e aquilo que consome, consumindo muito mais do que aquilo que produz. Durante muito tempo vivemos  do exterior mais do que podíamos. Ora é verdade que temos de aumentar a nossa produção, reduzir o nosso consumo e corrigir as desigualdades sociais, mas sem que tal correcção não afecte a própria produção.

Palavras estas que continuam actuais, apesar de terem sido proferidas em 12.8.1977 em entrevista concedida a Jacinto Baptista , Director do extinto Diário Popular por Mário Soares, politico bem mais avisado do que o actual Chefe do Governo, deslumbrado pela palavra, mas não pela obra.

Todos sabemos que a crise é grande. Mas entre nós já o sentíamos em momento anterior. Mas aqueles a quem nós confiamos a gestão dos nossos interesses não quiseram ou não souberem atempadamente prever o futuro. O resultado é conhecido, com a economia em desaceleração rápida, o desemprego em aumento galopante  e que poderá atingir em 2010 o valor tristemente histórico de 11%, depois de em 2007 ter atingido 6,7%, valor este que só fora conhecido em 1987.

Senhoras e senhores. Desde que iniciei esta minha alocução caíram já em situação de  desemprego  10  trabalhadores!

A verdade é dura . Mas é verdade, e nós exigimo-la.  Dizia o  Almirante Pinheiro de Azevedo que o povo é sereno. Sê-lo-á, mas é também ponderado, perspicaz e saberá distinguir a politica espectáculo, da politica de verdade.

Incapaz de solucionar os grandes e graves problemas do País, este Governo mima-nos com questões menores,  mas que se fazem sentir no bolso de todos nós. É o caso da recente criação da taxa de recursos hídricos, taxando em nome da poupança da água, também as águas residuais. É  o caso do celebre certificado de eficiência energética , inatingível para a quase totalidade dos lares portugueses e que, por isso os vai penalizar.

Mas curiosamente  foi este Governo que possibilitou que as Câmaras Municipais pudessem reduzir as taxas de IRS. Com que objectivo? Beneficiar os cidadãos?

Bom,  se fosse essa a intenção, certamente que neste momento não seriam implementados mecanismos que objectivamente apenas visam aumentar a receita fiscal e que vão sacrificar os munícipes .

Assim, os cidadãos de Oeiras beneficiados com a redução do IRS , saberão que aquilo de que o Município abdicou, será agora entregue ao Estado em sede de Taxas de Recursos Hídricos   e de Recursos Hídricos/Saneamento.

É esta a politica de verdade? Não!

Este Governo actua com a mão direita, mas de forma a que a esquerda nada veja…

Mas todos nós vemos. E vemos bem.

Mas, felizmente em Oeiras, o PSD ao longo de 20 anos, apoiado num trabalho colectivo e numa liderança capaz apostou no presente, tendo em vista o futuro. O futuro que é já hoje! Aprendemos a lutar pela melhoria dos munícipes, muitas vezes contra o poder central . E tivemos  êxito.

Há que referir tal, pois o PSD não rejeita, nem reescreve a sua história.

Mas apesar do futuro hoje ser outro, os Oeirenses podem continuar a contar com o PSD e a acreditar que o êxito deste concelho  passará por uma aposta firme num desenvolvimento sustentado, no apoio a um espaço equilibrado, assente nas pessoas e numa ainda maior qualidade de vida , o que se tornou já uma exigência  num concelho com as características  que conhecemos.

E foram exactamente essas preocupações que levaram o PSD, a reclamar da APL e do Governo o cancelamento do projecto de construção de um edifício no terra plano de  Algés, vulgo “praia de Algés” . E fê-lo com êxito, contando para o efeito com a preciosa ajuda de uma população farta , e de muitos de nós, sendo justo destacar a acção  do  Vereador Pedro Simões e de Alda Lima,Presidente da Junta de Freguesia de Algés.

E foi nesta Assembleia Municipal que, por iniciativa do PSD, foi possível fazer aprovar uma moção, invocada posteriormente pelo Governo para, ultrapassando uma autista Administração do Porto de Lisboa, evitar a consumação de um erro estratégico profundo, que cortaria o contacto físico e visual entre a população e o rio.

E o PSD irá continuar a lutar para que Oeiras mereça o mesmo tratamento que o Governo Central deu ao município de Lisboa, ao atribuir-lhe o direito à utilização dos terrenos da orla ribeirinha que o tráfego fluvial não ocupe.

Em Oeiras o PSD não exige nem mais, nem menos do Governo. Exige que este nosso concelho seja tratado de igual forma. E isto não é um recado. É , sim, uma reivindicação que aqui  se deixa em letra de forma.

Esta Assembleia e aqueles que a compõem tem o dever, que a democracia e a ética lhes incutiu, de defender os interesses das populações , que os elegeram,  contra normas, contra procedimentos incorrectos, contra praticas absurdas,  denunciando-os, como sempre faremos, até que a voz nos doa, como diria o poeta.

A liberdade confere-nos  esta responsabilidade acrescida. Mas confere-nos também o direito à indignação , à revolta contra todos aqueles que por más politicas parecem querer encerrar um Pais que, acreditamos, continua a ter futuro. Porque é o nosso País, o nosso Portugal.

Viva Portugal!

Viva a liberdade!

 

 

Bom , espero ter agora mais tempo para pensar em voz alta, aquilo que me vai na alma... 

publicado por pracana às 13:27
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3 comentários:
De helder a 26 de Abril de 2009 às 00:36
Primeiro Ministro mente quanto a necessidade de um novo Aeroporto em Lisboa.

O Aeroporto de Lisboa nao esta esgotado mas precisa de uma gestao eficiente das chegadas e partidas de avioes. O novo terminal 2 veio provar que ainda ha um excedente de capacidade no Aeroporto.

Para as companhias Low Cost podem deixa-las aterrar em Sintra ou Montijo. Mas o Primeiro Ministro nao deixa que as companhias Low Cost aterrem em Sintra ou Montijo prejudicando a economia porque os turistas acabam por nao vir a Portugal!
So porque o Primeiro Ministro quer que todas as companhias aereas aterrem no novo Aeroporto de Lisboa para que este seja rentavel, porque se abrissem uma base Aerea Low Cost em Sintra ou montijo ninguem iria apanhar voos a Alcochete.

Quanto ao TGV é a mesma coisa. O Primeiro Ministro sabe que a linha esta saturada. O Alfapendular qeu trasnporta 300 pessoas de cada vez faz 18 vezes por dia Lisboa Porto sempre cheio.
O Primeiro Ministro vem dizer que como a linha esta saturada que é preciso construir outra linha paralela com o nosso dinheiro, mas ninguem se lembrou que podemos aumentar a capacidade dos comboios que circulam na linha sem fazer obras.
Basta que comprem os comboios de dois andares que trasnportam 1400 pessoas de cada vez a 200km/h nas linhas mais saturadas da Europa. O comboio chama-se o IC2000 e nem sequer seriam precisas obras na linha do Norte e os bilhetes podiam ser mais baratos porque como vao mais passageiros por comboio o preço do bilhete poderia diminuir.

Mas o Primeiro Ministro mente-nos e obriga-nos a fazer estas obras MEGALOMANAS. Se fosse com o dinheiro dele de certeza que nao faria estas obras e aplicaria em escolas, hospitais, nas Universidades.
De pracana a 26 de Abril de 2009 às 08:11
Meu caro

Estou totalmenet de acordo. Aliás, privar Lisboa de um aeroporto para determinados voôs é economicamenet suicida para a Grande Lisboa. Porque não deixar a TAP e outras companhias em Lisboa e colocar as low cost em Alcochete.
Aliás, esse é um dos temas de Santana Lopes.
Quanto aos combóios, é 2 em 1. De acordo!
Se todos insistirmos, pode ser possivel evitar deixar aos nossos filhos uma divida....
De homoclinica a 26 de Abril de 2009 às 15:32
Além disso, segundo consta, o que se está a planear é semelhante ao novo aeroporto de Atenas. Esse novo aeroporto é tão caro que as companhias low-cost não o poderão usar e a companhia principal, neste caso a TAP irá à falência, como aconteceu na Grécia.
Eu já usei o TGV para o Porto e não ia assim tão cheio. Não sei se a linha actual comporta velocidades maiores que as actuais.
Já o TGV de Lisboa a Madrid é óbvio que andará às moscas. Se andam a fechar linhas ferroviárias porque não têm passageiros, que sentido faz construir outras que darão ainda maiores prejuízos??? Só para dar trabalho aos desempregados? Vai tudo para a construção civil?

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